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A imposição da arte
Todos os desvios levam à arte. Foi assim com Daniel Gonzalez e com Rodolfo Rondon, dois artistas da cidade de Praia Grande no litoral paulista. Antes de se tornar escultor, Gonzalez estudou medicina por dois anos na Argentina e foi professor de filosofia; Rondon cursou carpintaria naval no Senai e depois foi funcionário da Cosipa e de outras empresas, até se definir de vez pela pintura. Ambos vivem hoje do que produzem e da sua visão peculiar e radical do mundo: um artista é um artista!

Escultura "O Beijo" de Daniel Gonzalez
O escultor — Com a filosofia, Daniel Gonzalez forjou a sua visão da escultura e da arte: “A partir da filosofia, questiono o mundo e reproduzo a minha indignação, as minhas esculturas”. Seu pai, Serafim Gonzalez, é ator e escultor — autor das mulheres esculpidas na areia para a primeira versão da novela Mulheres de Areia. Vinte anos depois, Daniel Gonzalez fez as esculturas para a segunda versão da novela.
Paralelamente aos primeiros anos de medicina que cursou na Argentina, Gonzalez fazia escultura, mas como hobbie. A conselho do pai, desistiu da medicina e começou a se dedicar à filosofia e virou professor. Depois, o que era hobbie se tornou profissão. “A gente não escolhe a vocação. Acabei na escultura. O que me interessa é a produção cultural e não o ensino. Como professor de filosofia, você tem de adotar uma postura de quem já conhece as coisas e como artista você as põem em dúvida. O produtor cultural acaba ensinando, mas pela obra. Resolvi, finalmente, a seguir o melhor conselho de filosofia, que é o de Sócrates: “Só sei que nada sei”. 
Quadro premiado de Rodolfo Rondon
O pintor — Rodolfo Rondon sempre esteve ligado à arte pelo desenho. Seu primeiro contato com a tinta a óleo foi em 1970 e sua primeira mostra foi em 1977, em uma exposição promovida pelo Fundo Social de Santos. “O legal da minha pintura é o impacto que ela provoca. Alguém sempre se identificará com isso. A figura sai da tela e busca o observador”, diz ele.
O artista fez carpintaria naval no Senai — curso em que aprendeu a fazer peças em madeira e lhe possibilitou, hoje, fabricar as próprias molduras de seus quadros. Nunca fez faculdade e os pais nunca lhe impuseram escolhas. “Meu pai era mecânico. Na infância, cheguei até a me interessar por mecânica, mas pelo desenho de motor. O meu interesse sempre tinha algo a ver com o desenho”.
Mas para Rondon as coisas não foram fáceis, até conseguir se estabilizar na profissão, ter o nome reconhecido. Teve de trabalhar em outras coisas para poder se sustentar, mas não largava a arte. Trabalhou na Cosipa, na Editora Abril e no Grupo Pão de Açúcar. Há 15 anos, consegue viver apenas de seu trabalho como artista plástico — tem o seu ateliê onde vende seus quadros e molduras e dá aulas de pintura com tinta a óleo. Mas avisa que não gosta de ser chamado de professor: “Não estudei arte em academia. Estudo por minha própria conta e procuro me informar, mas não sou um professor, sou um orientador”.
Texto: Ana Paula Miranda e Selma Costa (2005)
criado por Ana Paula
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