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Ao contrário do que muita gente acredita, os quadrinhos não desestimulam as crianças a lerem livros ou as deixam preguiçosas para uma leitura mais complexa. Pelo contrário, segundo alguns estudiosos do assunto, como o professor universitário de Artes e Comunicação e cartunista Alexandre Barbosa (mais conhecido como Bar), o gibi estimula a criança à leitura. Pensando nisso é que Bar, juntamente com mais quatro professores - Ângela Rama, Waldomiro Vergueiro, Paulo Ramos e Túlio Vilela -, lançou o livro Como usar os HQs na sala de aula (editora Contexto), que ensina os professores a usar os quadrinhos em suas aulas no Ensino Fundamental.
Segundo Bar, a idéia surgiu há um ano, mas o livro foi escrito em apenas três meses e levou mais três para ser editado e impresso. Cada um dos professores-autores escreveu sobre a história em quadrinhos aplicada à sua área de ensino. O professor Bar escreveu sobre o uso dos HQs na disciplina de Artes. Segundo ele, as histórias em quadrinhos nada mais são do que um meio de comunicação através da imagem gráfica.
Como usar os HQs na sala de aula foi escrito para professores como um guia para ministrar as aulas de uma forma em que os alunos aprendam "brincando". A maioria dos educadores sabe que a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) e os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) prevêem o uso dos HQs na sala de aula, assim como do teatro e cinema. Mesmo assim, ainda há poucos livros voltados para este assunto, como o título de Flávio Mário de Alcântara Calazans, especialistas em HQs, História em quadrinhos na escola (editora Paulus). O mesmo autor escreveu também As histórias em quadrinhos no Brasil.
“O uso dos HQs na sala de aula pode ser feito em quase todas as disciplinas e de várias formas”, diz o professor Bar. Por exemplo: em Português pode-se analisar o tipo de discurso usado pelos personagens, a linguagem e até tipos de gírias; em História, o professor pode fazer uma associação da época em que o quadrinho foi escrito com fatos históricos daquele tempo; na disciplina Geografia é possível analisar as características dos personagens e relacioná-las com o seu local de origem. “Por exemplo, o personagem Chico Bento tem as características de uma pessoa que mora na roça, então podemos trabalhar isso com os alunos”, explica ele.
Na área de Artes trabalha-se com os alunos a parte gráfica dos quadrinhos, como por exemplo, os aspectos de perspectivas de primeiro e segundo plano dos desenhos. Segundo Bar, os professores podem fazer uma comparação também com os quadrinhos que foram criados na época do Renascimento e os que são criados hoje em dia. “As cores usadas no Renascimento eram chapadas, ou seja, puras, e hoje já se usa uma inúmera variação de cores”, completa Bar.
Os quadrinhos surgiram no Brasil em 30 de janeiro de 1869, com uma história na revista Vida Fluminense. Antigamente os HQs eram vistos apenas como um instrumento comercial para as empresas, e de entretenimento para os jovens. Existia até um certo preconceito por parte da sociedade, que acreditava que os quadrinhos distraíam e desviavam as crianças de suas atividades escolares. “Acredito que hoje este preconceito está acabando, os jovens estão lendo mais gibis e os quadrinhos incentivam o aprendizado”, diz Bar. Segundo ele, é fato que as pessoas que lêem muitos quadrinhos na infância tendem a ler muito mais livros quando forem adultas. "É muito importante que os pais incentivem seus filhos a ler histórias em quadrinhos", completa o professor.
Texto: Ana Paula Miranda
Obs.: Essa matéria foi publicada no site http://www.online.unisanta.br/2004/10-23/cultura-4.htm em 2004.
criado por Ana Paula
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