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(Continuação da matéria)


Esculturas de Daniel Gonzalez
O escultor — Algumas de suas obras já estiveram expostas na Galeria André; uma galeria onde artistas plásticos em evidência têm os trabalhos em exposição. Mas para Daniel Gonzalez sua maior obra está localizada no Praiamar Shopping, em Santos. “O conjunto todo é composto de 40 peças esculpidas em fibra e erguidas num período recorde de quatro meses. A história dela é muito interessante. Gosto muito de um painel de Michelangelo chamado A Guerra dos Centauros, onde você vê corpos entrelaçados e você observa uma forma só feita com corpos humanos e gosto também de um poema de Fernando Pessoa chamado Mar Português. Imaginei, então, fazer a caravela toda entremeada de corpos que, por sua vez, estão introspectivos, por ser um poema trágico. Essa é a única escultura trágica que existe dentro de um shopping”.
Outro ponto determinante da escolha pelo “lado trágico da obra” foi o tema da celebração dos 500 anos do Descobrimento. “Parti do seguinte: ‘não há o que comemorar e sim o que marcar’”, ressalta Gonzalez. O escultor diz que o que tinha de mais representativo sobre a “questão existencial da descoberta” era o poema do Fernando Pessoa: “Em Mar Português, Pessoa mostra que ficou muita gente lá em Portugal, mulheres que perderam os maridos, mães que perderam os filhos, um custo existencial altíssimo. Pessoa termina dizendo: Tudo vale a pena se a alma não é pequena”.
Gonzalez já produziu mais de duas mil esculturas. Só os monumentos são 40, alguns deles compostos por várias peças. Os artistas que influenciam a obra do escultor são o surrealista René Magritte e o filósofo Martin Heidegger e o filósofo e psicanalista Carl Gustav Jung.

Pintura de Rodolfo Rondon
O pintor — Rodolfo Rondon não se inspira em nenhum artista especificamente: “Não sigo nenhuma tendência, quero fazer o que sinto, as minhas pinturas refletem o meu estado de espírito, mas a minha linha de pintura é mais para o figurativo e gosto um pouco do surrealismo”. Também faz esculturas em argila, concreto e areia, mas o seu forte é mesmo a pintura. “A escultura sempre andou junto com a pintura pra mim, mas de forma mais reservada. Para mim é uma escola onde eu procuro aprender mais, é uma coisa mais minha, mas por ironia do destino foi a escultura que acabou me levando pra Portugal”. No ano passado, Rondon saiu do Brasil pela primeira vez e participou de um festival de escultura na areia em Portugal, o Festival Internacional de Escultura Sobre Areia.
Caminhos cruzados
Daniel Gonzalez: “Imagina o quanto um artista é criticado antes de conseguir se consagrar. Um belo jeito de matar o artista é ele virar monstro sagrado. Ter uma opinião, fazer algo contrário do que estão fazendo na área é motivo de atrito. Com o tempo aprendi, a ser humilde”.
Ateliê Daniel Gonzalez
Rua Tiredentes,1250, Canto do Forte, Praia Grande, SP.
Tel.: (13) 3473 4891
Rodolfo Rondon: “O artista que quer começar hoje tem que traçar um objetivo e ter muita força de vontade. Não sei se saberia como começar hoje, mas quem quer ser artista tem de ter consciência, tem de saber o que quer e ir buscar. O lado financeiro é a conseqüência de um bom trabalho”.
Ateliê Rodolfo Rondon
Rua Jundiaí, 55, Boqueirão, Praia Grande, SP.
Tel.: (13) 3591 6103 ou (13) 3471 1216
Texto: Ana Paula Miranda e Selma Costa (2005)

criado por Ana Paula
11:42:13
criado por Ana Paula
13:27:06A imposição da arte
Todos os desvios levam à arte. Foi assim com Daniel Gonzalez e com Rodolfo Rondon, dois artistas da cidade de Praia Grande no litoral paulista. Antes de se tornar escultor, Gonzalez estudou medicina por dois anos na Argentina e foi professor de filosofia; Rondon cursou carpintaria naval no Senai e depois foi funcionário da Cosipa e de outras empresas, até se definir de vez pela pintura. Ambos vivem hoje do que produzem e da sua visão peculiar e radical do mundo: um artista é um artista!

Escultura "O Beijo" de Daniel Gonzalez
O escultor — Com a filosofia, Daniel Gonzalez forjou a sua visão da escultura e da arte: “A partir da filosofia, questiono o mundo e reproduzo a minha indignação, as minhas esculturas”. Seu pai, Serafim Gonzalez, é ator e escultor — autor das mulheres esculpidas na areia para a primeira versão da novela Mulheres de Areia. Vinte anos depois, Daniel Gonzalez fez as esculturas para a segunda versão da novela.
Paralelamente aos primeiros anos de medicina que cursou na Argentina, Gonzalez fazia escultura, mas como hobbie. A conselho do pai, desistiu da medicina e começou a se dedicar à filosofia e virou professor. Depois, o que era hobbie se tornou profissão. “A gente não escolhe a vocação. Acabei na escultura. O que me interessa é a produção cultural e não o ensino. Como professor de filosofia, você tem de adotar uma postura de quem já conhece as coisas e como artista você as põem em dúvida. O produtor cultural acaba ensinando, mas pela obra. Resolvi, finalmente, a seguir o melhor conselho de filosofia, que é o de Sócrates: “Só sei que nada sei”. 
Quadro premiado de Rodolfo Rondon
O pintor — Rodolfo Rondon sempre esteve ligado à arte pelo desenho. Seu primeiro contato com a tinta a óleo foi em 1970 e sua primeira mostra foi em 1977, em uma exposição promovida pelo Fundo Social de Santos. “O legal da minha pintura é o impacto que ela provoca. Alguém sempre se identificará com isso. A figura sai da tela e busca o observador”, diz ele.
O artista fez carpintaria naval no Senai — curso em que aprendeu a fazer peças em madeira e lhe possibilitou, hoje, fabricar as próprias molduras de seus quadros. Nunca fez faculdade e os pais nunca lhe impuseram escolhas. “Meu pai era mecânico. Na infância, cheguei até a me interessar por mecânica, mas pelo desenho de motor. O meu interesse sempre tinha algo a ver com o desenho”.
Mas para Rondon as coisas não foram fáceis, até conseguir se estabilizar na profissão, ter o nome reconhecido. Teve de trabalhar em outras coisas para poder se sustentar, mas não largava a arte. Trabalhou na Cosipa, na Editora Abril e no Grupo Pão de Açúcar. Há 15 anos, consegue viver apenas de seu trabalho como artista plástico — tem o seu ateliê onde vende seus quadros e molduras e dá aulas de pintura com tinta a óleo. Mas avisa que não gosta de ser chamado de professor: “Não estudei arte em academia. Estudo por minha própria conta e procuro me informar, mas não sou um professor, sou um orientador”.
Texto: Ana Paula Miranda e Selma Costa (2005)

criado por Ana Paula
15:17:13

Ao contrário do que muita gente acredita, os quadrinhos não desestimulam as crianças a lerem livros ou as deixam preguiçosas para uma leitura mais complexa. Pelo contrário, segundo alguns estudiosos do assunto, como o professor universitário de Artes e Comunicação e cartunista Alexandre Barbosa (mais conhecido como Bar), o gibi estimula a criança à leitura. Pensando nisso é que Bar, juntamente com mais quatro professores - Ângela Rama, Waldomiro Vergueiro, Paulo Ramos e Túlio Vilela -, lançou o livro Como usar os HQs na sala de aula (editora Contexto), que ensina os professores a usar os quadrinhos em suas aulas no Ensino Fundamental.
Segundo Bar, a idéia surgiu há um ano, mas o livro foi escrito em apenas três meses e levou mais três para ser editado e impresso. Cada um dos professores-autores escreveu sobre a história em quadrinhos aplicada à sua área de ensino. O professor Bar escreveu sobre o uso dos HQs na disciplina de Artes. Segundo ele, as histórias em quadrinhos nada mais são do que um meio de comunicação através da imagem gráfica.
Como usar os HQs na sala de aula foi escrito para professores como um guia para ministrar as aulas de uma forma em que os alunos aprendam "brincando". A maioria dos educadores sabe que a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) e os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) prevêem o uso dos HQs na sala de aula, assim como do teatro e cinema. Mesmo assim, ainda há poucos livros voltados para este assunto, como o título de Flávio Mário de Alcântara Calazans, especialistas em HQs, História em quadrinhos na escola (editora Paulus). O mesmo autor escreveu também As histórias em quadrinhos no Brasil.
“O uso dos HQs na sala de aula pode ser feito em quase todas as disciplinas e de várias formas”, diz o professor Bar. Por exemplo: em Português pode-se analisar o tipo de discurso usado pelos personagens, a linguagem e até tipos de gírias; em História, o professor pode fazer uma associação da época em que o quadrinho foi escrito com fatos históricos daquele tempo; na disciplina Geografia é possível analisar as características dos personagens e relacioná-las com o seu local de origem. “Por exemplo, o personagem Chico Bento tem as características de uma pessoa que mora na roça, então podemos trabalhar isso com os alunos”, explica ele.
Na área de Artes trabalha-se com os alunos a parte gráfica dos quadrinhos, como por exemplo, os aspectos de perspectivas de primeiro e segundo plano dos desenhos. Segundo Bar, os professores podem fazer uma comparação também com os quadrinhos que foram criados na época do Renascimento e os que são criados hoje em dia. “As cores usadas no Renascimento eram chapadas, ou seja, puras, e hoje já se usa uma inúmera variação de cores”, completa Bar.
Os quadrinhos surgiram no Brasil em 30 de janeiro de 1869, com uma história na revista Vida Fluminense. Antigamente os HQs eram vistos apenas como um instrumento comercial para as empresas, e de entretenimento para os jovens. Existia até um certo preconceito por parte da sociedade, que acreditava que os quadrinhos distraíam e desviavam as crianças de suas atividades escolares. “Acredito que hoje este preconceito está acabando, os jovens estão lendo mais gibis e os quadrinhos incentivam o aprendizado”, diz Bar. Segundo ele, é fato que as pessoas que lêem muitos quadrinhos na infância tendem a ler muito mais livros quando forem adultas. "É muito importante que os pais incentivem seus filhos a ler histórias em quadrinhos", completa o professor.
Texto: Ana Paula Miranda
Obs.: Essa matéria foi publicada no site http://www.online.unisanta.br/2004/10-23/cultura-4.htm em 2004.

criado por Ana Paula
15:49:10