Cultura em Pauta

"Quando você desenvolve a cultura, multiplica o espaço para vozes que refletem sobre os problemas da sociedade" (Francisco Weffort)

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Terra Blog

Arquivo de: Julho 2007

30.07.07

Homem aranha 3 pode ter continuação em 2009

categorias: Cinema

Obs.: Esta notícia foi extraída do site http://www.saladacultural.com.br/arte/web/viewNoticias.cfm?noti=273&cn=16#

Diretor confirma: ‘Homem-Aranha 3’ terá continuação
O diretor afirmou que a Sony Pictures já faz planos para uma nova trilogia baseada no herói, embora ainda não tenha anunciado oficialmente.

Não há certeza de que os atores dos três primeiros filmes da franquia, nem mesmo os protagonistas Tobey Maguire e Kirsten Dunst, estarão nos próximos longas, já que nenhum deles tem contrato assinado para continuar na série. Durante as entrevistas, os astros afirmaram que sua participação dependeria da contratação de Sam Raimi como diretor.

Entretanto, Raimi diz que não é certo que o estúdio vai convidá-lo para dirigir “Homem-Aranha 4”, “5” e “6”, pois ainda não teve tempo para se envolver nos projetos. Nas três primeiras produções, o diretor foi contratado para cada filme individualmente, enquanto os protagonistas assinaram acordos válidos para toda a trilogia.

A previsão é de que “Homem-Aranha 4” chegue aos cinemas em 2009.

27.07.07

As novas Mil e Uma Noites

categorias: Literatura

Ainda sobre literatura, vamos conhecer um pouco sobre o tradutor brasileiro do livro As Mil e uma Noites: Mamede Mustafa Jarouche...

As histórias de As Mil e Uma Noites narradas por Shahrazad ao rei matador de esposas, Shahriyar, acabam de ganhar nova tradução e pela primeira vez direto do árabe para o português. Quem realizou a tarefa foi Mamede Mustafá Jarouche, professor de Língua e Literatura Árabe da Universidade de São Paulo (USP). A obra é uma das mais fascinantes da literatura universal e é referência obrigatória para quem quer conhecer melhor a cultura árabe. Jarouche pretende publicar os cinco volumes de As Mil e Uma Noites até o fim de 2007. O primeiro foi lançado em maio pela Editora Globo, com 170 noites.

Origem

O primeiro manuscrito do livro que se tem notícia é do século 14. Hoje, pertence à Biblioteca Nacional de Paris, mas contém apenas 282 noites. Segundo Jarouche, pesquisas mostraram que a linguagem deste manuscrito é o da Síria do século 13, mas há várias hipóteses sobre a sua origem. “Alguns acreditam que tem origem persa, outros indiana, mas não há comprovação de nenhuma dessas hipóteses. Muitos acreditam na origem sânscrita porque a característica literária de se narrar história dentro de uma história é muito comum na cultura sânscrita e em sua literatura existe uma história em que uma rainha conta histórias para alguém, para evitar que o pai dela morra”, explica o professor.
Autores árabes do século 10 se referem a uma coletânea persa chamada Hazar Afsana que significa Mil Fábulas. Segundo alguns autores árabes, a história se refere a um rei que matava mulheres e que um dia se casa com uma princesa que então começa a contar histórias para que ele pare de matar mulheres. A diferença é que no em As Mil e Uma Noites, esse é apenas o início da história, pois o restante são as histórias contadas por Shahrazad.
Investigadores europeus do fim do século 18 e 19 viajavam pelo mundo árabe em busca de outras partes dos manuscritos do livro. Somente no século 18 é que foram encontrados manuscritos contendo as mil e uma histórias. Historiadores saíram pelo mundo árabe em busca do restante do manuscrito e, aos poucos, conseguiram completar o livro, mas não se sabe se os manuscritos encontrados foram escritos pelo mesmo autor, pois naquela época muita gente escrevia histórias e saía vendendo como se tivesse encontrado mais uma parte do livro.
Jarouche acredita na possibilidade de quem escreveu o livro ter morrido antes de terminar a obra e posteriormente outro autor a concluiu: “O manuscrito das 282 noites termina abruptamente no começo de uma história, sem dar final a ela e diz: ‘terminou’, isso é muito esquisito”, diz o professor.
Na opinião de Jarouche, o título As Mil e Uma Noites não deve ser levado ao pé da letra, pois não se sabe se a história de Shahrazad e o rei durou exatamente esse período de tempo: “Na minha opinião, quem deu o título de As Mil e Uma Noites colocou no sentido de expressar ‘infinitas noites’ e não exatamente a quantidade exata de mil e uma noites”, diz o professor.

A tradução de Jarouche

Tradutor de dois outros textos árabes, As Cento e Uma Noites e Kalila e Dimna, o professor já havia lido duas edições de As Mil e Uma Noites: uma na infância — que ganhou de presente do avô — e outra que comprou na Arábia Saudita, quando estudou lá, mas nunca havia pensado em traduzir o livro. Foi um colega seu da USP, Joaci Pereira Furtado, que o incentivou a traduzir a obra. Por coincidência, Furtado foi trabalhar como editor na Globo e fez a proposta para a que editora bancasse a tradução, indicando Jarouche. Ele começou a traduzir a obra em 2003.
A tradução de Jarouche foi baseada em três volumes do manuscrito árabe da Biblioteca Nacional de Paris. Além disso, ele consultou ainda quatro edições árabes do livro: Breislau (1825-1843), a edição de Bulaq (1835), a segunda edição de Calcutá (1839-1842) e a edição de Leiden (1984). Utilizou ainda quatro manuscritos do chamado ramo egípcio antigo. Em razão de os manuscritos serem muito antigos, o professor achou que algumas expressões poderiam ter mais de uma interpretação. Por isso, inseriu no livro várias notas explicando aos leitores que determinada passagem poderia ter mais de um significado.
Os nomes dos personagens foram mantidos como no original e grafados pelo alfabeto fonético internacional, com uma explicação para o leitor entender a pronúncia correta. Em As Mil e Uma Noites, o autor usou de uma linguagem um tanto poética, mas privilegiando muito a técnica de narração pura. “Não me considero um bom tradutor de poesias. Na tradução do livro preferi perder na forma e manter o sentido”, admite Jarouche.
Segundo o professor, em uma tradução sempre se acaba perdendo um pouco da essência do livro, seja por uma expressão interpretada de forma errada, uma palavra desconhecida, ou pela própria linguagem do autor, que às vezes não é captada pelo tradutor da maneira como ele escreveu.

Outras traduções

As Mil e Uma Noites foi uma obra de relativa popularidade no mundo árabe, mas no Ocidente só passou a ser conhecida no século 18, quando um orientalista francês chamado Antoine Galland (1646-1715) traduziu o livro em forma de fascículos do árabe para o francês. O primeiro fascículo foi publicado em 1704 e o último em 1717, dois anos depois de sua morte.
“Depois que Galland traduziu o livro o impacto foi muito grande na Europa. A obra foi consumida tanto pelo público menos intelectualizado como pela elite, inclusive por grandes historiadores. Foi um grande sucesso”, diz Jarouche. Por causa disso, estudiosos orientalistas se interessaram em estudar a obra e se surpreenderam ao descobrir que apesar de Galland ter traduzido o livro completo com as mil e uma noites, o único manuscrito que ele tinha era o que continha apenas 282 noites.
Além disso, os estudiosos constataram que muitas das histórias que Galland colocou no livro não existiam no manuscrito original — foram tiradas de outros manuscritos árabes, mas não do livro As Mil e Uma Noites, Simbad, Ali Babá e Alladin. E mesmo as histórias que estavam no manuscrito original foram alteradas por Galland.
O tradutor francês cortou todas as partes eróticas e obscenas do livro, mas ele não foi o único, pois posteriormente Eduardo Lane, o primeiro tradutor britânico do texto, e o alemão Enno Littmann, que traduziu o livro no século 20 partindo da edição francesa, também fizeram o mesmo. Já na tradução de Jarouche todos os trechos foram mantidos.
“Baseado no que a pesquisa mostrou, não dá pra dizer que o texto de Galland é uma tradução. Ele introduziu textos que não faziam parte do livro e alterou as histórias originais, ou seja, praticamente inventou outro livro!”, diz o professor.
No século 19, na Europa, um editor chamado Maximilião Nabich editou o livro em 12 volumes dizendo ter se baseado em um manuscrito que recebeu da Tunísia. Depois descobriu-se que era mentira. No fim do século 19, uma das versões do livro publicadas no Brasil foi intitulada Contos Seletos das Mil e Uma Noites, traduzida por Carlos Jansen, com base na edição alemã de Franz Hoffmann.
Em 1984, Muhsin Mahdi escreveu uma edição comentada sobre o manuscrito que foi utilizado por Galland. Claudia Ott utilizou esta edição para fazer uma nova tradução da obra para o alemão.

Texto: Ana Paula Miranda



26.07.07

Cabeça de Turco

categorias: Literatura

Para quem gosta de literatura confira abaixo a análise do livro Cabeça de Turco, um texto que escrevi em 2004...

Livro: Cabeça de Turco
Autor: Günter Wallraff
Versão em português pela editora Globo
Tradução: Nicolino Simone Neto
Prefácio: William Waack
Número de páginas: 259

Sentindo na pele

Jornalista alemão se disfarça de turco, na década de 80, para sentir na pele, e denunciar, posteriormente, os preconceitos e humilhações que os estrangeiros sofriam na Alemanha.


Günter Wallraff é um jornalista alemão que passou dois anos disfarçado de turco a fim de sentir, presenciar e denunciar os preconceitos e as humilhações sofridas por um estrangeiro na Alemanha, na década de 80. Para compor o disfarce, Günter, colocou lentes de contato escuras e uma peruca, além dos trajes pobres que ele usou e do alemão errado que o jornalista foi obrigado a interpretar.
O autor ¿incorporou¿ totalmente o papel de turco e passou por intensas e arriscadas experiências de trabalho e convívio social, em um país que os estrangeiros, principalmente os turcos, não são tratados como gente e sim quase como animais. Nesta época, na Alemanha, os turcos são praticamente ignorados; os alemães fingem não notar a presença destes imigrantes e quando notam é para humilhá-los e explorá-los. Essa experiência resultou em 259 páginas de história no livro Cabeça de Turco, que mescla jornalismo investigativo com jornalismo literário.
Segundo conta Günter em seu livro, em nenhum momento seu disfarce foi descoberto. Usou a identidade de um amigo, Ali, durante os dois anos que viveu como turco. Para começar seu trabalho, Günter colocou um anúncio no jornal oferecendo-se para um emprego na intenção de se infiltrar no mundo em que viviam os estrangeiros no país alemão.
O jornalista arrumou vários empregos, a maioria temporários. Mas como os turcos eram menosprezados pela sociedade alemã, Günter, assim como os outros turcos que trabalhavam com ele, era sempre designado para os piores serviços da empresa. Às vezes não era registrado e algumas empresas sequer pediam seus documentos. Além disso, os turcos sempre ganhavam menos que os alemães, embora trabalhassem mais.
Günter sentiu na pele o desprezo que os alemães tinham pelos turcos naquela época, e talvez até hoje tenham, porém, em menor escala. Em uma empresa de construção em que trabalhou , era contratado clandestinamente por uma empreiteira ¿fantasma¿, não era registrado e fazia os serviços mais pesados e ¿sujos¿ que se pode imaginar.
Dessa forma acontecia em todas empresas em que o autor trabalhava. Como jornalista, Günter investigava o passado e o presente das empresas em que trabalhou e analisava se estavam amparadas pela lei em suas atitudes para com os trabalhadores estrangeiros. Em muitos casos não estavam, mas, como a maior parte do imigrantes estavam no país em situação irregular, acabavam por aceitar qualquer trabalho e deixavam-se ser explorados.
Um exemplo de irregularidade trabalhista que Günter mostra em Cabeça de Turco, é o fato dos trabalhadores estrangeiros serem submetidos a trabalharem em zonas de risco e insalubridade sem os devidos equipamentos de segurança necessários, além de ficarem expostos a radiações muito acima do que poderia ficar um ser humano para não contrair doenças fatais.
Quando trabalhou para a indústria Thyssen, além de ser obrigado a comprar equipamentos de segurança que a empresa deveria oferecer gratuitamente aos funcionários, ainda era obrigado a ¿doar¿ seu equipamento se um operário alemão necessitasse. Certa vez , o chefe de Ali (Günter) o obrigou a ceder seu capacete de segurança para um operário alemão que havia esquecido o próprio e Ali teve que trabalhar o dia inteiro, em um local onde corria risco de se queimar gravemente, sem ter qualquer proteção.
O autor conta a história no presente e reproduz os diálogos quase sempre na íntegra. Apenas os nomes das fontes foram preservados. Quando lemos o livro, podemos imaginar com detalhes todas as cenas e vivenciar a história, já que o autor descreve tão bem cada situação.
Até pelos padres Ali foi rejeitado . Bateu de igreja em igreja a procura de um padre que estivesse disposto a batizar um turco, e ex-mulçumano, que queria se converter ao catolicismo. Todos os padres, com exceção de um, lhe desprezaram e negaram de certa forma o batismo. Apenas um padre Polonês em uma pequena cidadezinha, aceitou batizar o turco sem qualquer burocracia.
Em toda a obra Günter descreve o que os turcos passam na Alemanha e faz um paralelo jornalístico, ou uma crítica sobre aquela situação, com base em dados pesquisados para que o leitor esteja a par, digamos, do que seria provocação dos alemães e o que é realmente relevante perante as leis e normas do país. O livro é uma espécie de denúncia e alerta para que a sociedade tenha uma idéia de como um ser humano pode ser reduzido ao nada por aqueles que tem mais poder.

Texto: Ana Paula Miranda

Amar pode dar certo

categorias: Poesias

 

Quando encontrar alguém e esse alguém fizer seu coração
parar de funcionar
por alguns segundos, preste atenção: pode ser a pessoa
mais importante da sua vida.
Se os olhares se cruzarem e, neste momento, houver o
mesmo brilho intenso
entre eles, fique alerta: pode ser a pessoa que você
está esperando desde o dia em que nasceu.
Se o toque dos lábios for intenso, se o beijo for;
apaixonante, e os olhos se
encherem d"água neste momento, perceba: existe algo
mágico entre vocês.
Se o primeiro e o último pensamento do seu dia for essa
pessoa, se a vontade
de ficar juntos chegar a apertar o coração, agradeça:
Deus te mandou um presente divino - o amor.
Se um dia tiverem que pedir perdão um ao outro por
algum motivo e em troca
receber um abraço, um sorriso, um afago nos
cabelos e os gestos valerem mais que mil palavras,
entregue-se: vocês foram feitos um pro outro.
Se por algum motivo você estiver triste,
se a vida te deu uma rasteira e a
outra pessoa sofrer o seu sofrimento, chorar as suas
lágrimas e enxugá-las com ternura, que coisa
maravilhosa: você poderá contar
com ela em qualquer momento de sua vida.
Se você conseguir, em pensamento, sentir o cheiro da
pessoa como se ela
estivesse ali do seu lado . . .
Se você achar a pessoa maravilhosamente linda, mesmo
ela estando de pijamas velhos,
chinelos de dedo e cabelos emaranhados . . .
Se você não consegue trabalhar direito o dia todo,
ansioso pelo encontro que
está marcado para a noite . . .
Se você não consegue imaginar, de maneira nenhuma, um
futuro sem a pessoa ao seu lado . . .
Se você tiver a certeza que vai ver a outra
envelhecendo e, mesmo assim,
tiver a convicção que vai continuar sendo louco por
ela . .
Se você preferir morrer, antes de ver a outra partindo:
é o amor que chegou na sua vida.
É uma dádiva. Muitas pessoas apaixonam-se
muitas vezes na vida,
por vários motivos inclusive os carnais
mas poucas amam ou encontram um amor verdadeiro,
aquele que é independe
desse atributo carnal e sobrevive mesmo sem o ter. Ou às
vezes encontram e, por
não prestarem atenção nesses sinais, ou por estar com uma
pessoa errada deixam o amor
passar, sem deixá-lo
acontecer verdadeiramente.
É o livre-arbítrio.
Por isso, preste atenção nos sinais - não deixe que as
loucuras do dia-a-dia
o deixem cego para a melhor coisa da vida:
O A M O R .

(C a r l o s D r u m m o n d d e A n d r a d e )

Jornalismo Cultural

O início

O Jornalismo Cultural não tem documentado ao certo uma data de surgimento, mas sabe-se que essa segmentação do jornalismo surgiu na Inglaterra por volta do século XVIII e originou-se do gênero literário. Escritores ingleses publicavam seus ensaios literários (composição, geralmente em forma de prosa, de pequeno tamanho e assunto restrito) em periódicos, e assim o jornalismo começou a ceder espaço para a cultura.
Dois grandes escritores britânicos foram pioneiros na arte de escrever para o jornalismo cultural: Daniel Defoe (1660-1731), autor de Robinson Crusoé, escreveu durante nove anos (1704-1713) para o Review, um periódico da corte e Samuel Johnson (1709-1784), foi o primeiro grande crítico cultural, autor do romance Rasselas, do primeiro dicionário da língua inglesa e de várias poesias, pensamentos e ensaios literários, teve sua biografia escrita por James Boswell, livro que foi considerado uma das obras-primas da humanidade .
Foram dois ensaístas ingleses Richard Steele (1672-1729) e Joseph Addison (1672-1719) que praticamente fundaram os primeiros produtos jornalísticos segmentados para o assunto. Primeiro o jornal literário The Tatler em 1709 e a famosa revista diária que marcou o início do jornalismo cultural: The Spectator em 1711. A revista falava sobre diversos assuntos: literatura, moda, comportamento, música, teatro e política e tinha grande influência em seu público leitor.

No Brasil

No Brasil o jornalismo cultural esbarrava-se muito com o jornalismo político, pois em resenhas e artigos literários publicados em jornais, eram discutidos, às vezes implicitamente, assuntos relacionados à política. Sua prática teve início no final do século XIX e lançou, nas páginas de seus jornais famosos escritores brasileiros.
Os jornais que mais davam espaço ao jornalismo cultural, na época mais centrado na literatura, eram: o Diário Mercantil, de São Paulo, o Jornal do Brasil (fundado em 1891 por Joaquim Nabuco e Rodolfo Dantas), O País, desde 1884, o Novidades, entre 1887 e 1892, Gazeta de Notícias, o Correio do Povo, em 1891, A Notícia e A Imprensa.
No jornal Gazeta de Notícias, Machado de Assis (1839-1908) escrevia a crônica semanal e mais tarde Olavo Bilac ficou com esta coluna. Além disso, Raul Pompéia (1863-1895) publicou os romances O Ateneu e As Jóias da Coroa entre 1881 e 1888, nas páginas do periódico.
O Jornal do Brasil defendia opiniões monarquistas e, portanto era oposição do governo, sendo assim vítima de vários atentados políticos devido a opiniões que eram inseridas em artigos do jornal, mesmo assim os críticos do jornal fizeram muito sucesso naquela época com seu jornalismo literário. José Veríssimo (1857-1916), como Sainte Beuve, escrevia crítica literária e Clarice Lispector (1920-1977) foi cronista durante seis anos (1967 e 1973).
José Veríssimo tivera o seu ordenado aumentado para 300$000, escrevendo os artigos de fundo, às segundas-feiras. Em sua seção, a de crítica literária, escreveu que ¿de todas as manifestações da nossa vida intelectual é talvez o jornalismo a mais importante e a única em que se veja progresso, ao menos no que respeita a informação, a notícia, em suma à satisfação das atuais exigências do público (WERNECK, 1999, p.259).

Paralelamente aos periódicos, alguns desses escritores citados, como, por exemplo, Machado de Assis e José Veríssimo foram colaboradores, entre outras revistas, da literária Revista Brasileira, que teve duas fases de circulação. A primeira, de 1857 a 1861 e a segunda
de 1879 a 1898, onde em 1880, Machado de Assis, publicou o primeiro de seus romances: Memórias Póstumas de Brás Cubas .
José Veríssimo dirigiu durante algum tempo (1895-1899) a Revista Brasileira, onde conseguiu reunir praticamente toda a literatura nacional existente na época e dos bastidores da revista surgiu a Academia Brasileira de Letras. ¿Congregavam-se os grandes valores brasileiros da época, e é de lá que saiu a Academia Brasileira, prestigiada pelos mais eminentes amigos de José Veríssimo: Machado de Assis, Joaquim Nabuco, Visconde de Taunay, Lúcio de Mendonça, entre outros¿. (Academia Brasileira de Letras).
A partir do século XX, as artes gráficas começaram a tomar conta das revistas e surgiriam as revistas ilustradas. Os periódicos começam a deixar de ser tão literários e os grandes escritores passam a escrever seus contos, resenhas e artigos nas revistas. É neste momento que o jornalismo passa por uma mudança, onde a literatura se separa da notícia, pois antes os dois confundiam-se um pouco.
Mais tarde descobre-se a grande reportagem e os veículos de comunicação, em especial as revistas, passam a investir mais nessa área do jornalismo e também já não são mais tão literárias. Sendo assim, o jornalismo cultural já não está mais na sua ¿época de ouro¿ como alguns chamaram e não é mais o assunto mais importante dos jornais, pois estes agora dão mais importância às notícias factuais como polícia, esporte e política.
Mesmo assim, o jornalismo cultural continua presente até hoje nas publicações e nunca deixou de ter o seu espaço nos jornais e revistas que agora tem um caderno específico para o assunto e continuam dando espaço para a divulgação da arte, música, cinema e para os escritores de nossos tempos mostrarem um pouco do seu trabalho na forma de contos e resenhas.

Texto: Ana Paula Miranda e Selma Costa (ano 2005)