Cultura em Pauta

"Quando você desenvolve a cultura, multiplica o espaço para vozes que refletem sobre os problemas da sociedade" (Francisco Weffort)

Cultura em Pauta

"Quando você desenvolve a cultura, multiplica o espaço para vozes que refletem sobre os problemas da sociedade" (Francisco Weffort)
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Terra Blog

02.10.07

ARTE CONTEMPORÂNEA NA ESCOLA

categorias: Artes

Para aqueles que acham que obras de arte são encontradas somente nas famosas galerias das grandes capitais mundiais, se surpreenderá com um espaço e evento que já está na sua 38º edição e que já se tornou uma tradição no mercado de arte paulistano. É o Chapel Art Show.
Realizado no colégio paulista Maria Imaculada, mais conhecido como Chapel School que foi fundado há 60 anos por padres católicos americanos para atender a comunidade residente no país, hoje é um colégio internacional que recebe alunos brasileiros e de mais 45 nacionalidades. De acordo com o diretor superintendente da instituição, John Ciallelo, todos os anos durante o mês de realização, os alunos desde o ensino elementar até os formandos que se preparam para as universidades mundo a fora, "ficam intensamente envolvidos em workshops, apresentações e visitas monitoradas, além de vivenciarem experiências práticas de arte atreladas ao curriculo. Do desenvolvimento de materiais impressos à criação de instalações para desenvolver fotografias com câmeras artesanais, os alunos estão envolvidos na criação de seus próprios projetos de arte", demonstrando a importância da iniciativa de nossos educadores no que tange à formação da criança como indivíduo e suas formas de percepção através da arte e cultura.

O evento, pioneiro por sua iniciativa, além da exposição permite a aquisição das obras à preços especiais e diretamente do artista e, parte da arrrecadação proveniente da venda das obras é tradicionalmente doado à numerosos projetos assistenciais mantidos pela paróquia do colégio, além de custear a mostra que também abre espaço à novos talentos da arte.
Como todos os anos, nesta edição o artista homenageado é REGINA SILVEIRA, nascida em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, em 1939. Ainda em plena atividade desde os anos 50 e consagrada internacionalmente, participou do coquetel de abertura trazendo mais de 20 de suas obras além de já contar com jovens artistas sucessores de sua técnica e inspiração, que também tem suas peças expostas no espaço.

Segundo Allison Farrad e Adriana Rede, coordenadoras do evento, a exposição sob a curadoria de Katia Canton conta com a participação voluntária de pais de alunos e reuniu mais de 80 representantes da arte contemporânea brasileira, renomados internacionalmente ou pertencentes à nova geração da arte contemporânea brasileira.

Destacam-se entre eles grandes nomes como Dan Fialdini, Florian Raiss, Ivald Granato, João Luiz Musa, Juan Esteves, Maria Tereza Louro, Marina Saleme, Paulo Von Poser e Cristina Guerra, Renata Pedrosa, Romulo Fialdini, Sonia Menna Barreto, entre outros.

Um importante evento que beneficia inúmeros indivíduos de nossa sociedade: a Criança que é Aluno, seus Pais e demais Familiares, os Amigos, os Educadores, os Grandes Artistas, os Novos Talentos e principalmente, as Pessoas Carentes de algum tipo de Solidariedade.
Não deixe de visitar o Chapel Art Show 2007 aberto ao público e que acontece de 28 de setembro a 3 de outubro, das 10 às 21 horas. Local: Colégio Maria Imaculada - Chapel School

Endereço: Rua Vigário João de Pontes, 537 - Chácara Flora - São Paulo - SP
Tel.: 11.2101.7400
www.chapelartshow.com.br
artshow@chapelartshow.com.br

Fonte: http://www.formulacultural.com.br


30.09.07

O que vc gostaria de ler no Cultura em Pauta?

Pessoal, reservei esse espaço para que vcs deixem suas sugestões de assuntos que gostariam de ler no meu blog... Conto com a opinião de vcs!

Bjus

22.09.07

Teatro Amador

categorias: Teatro

O diretor de teatro Júnior Brassalotti e a atriz Ana Cristina Maragliano, falam sobre a sua maior paixão e o seu maior drama: o teatro amador, cuja experiência quase sempre coloca os dois artistas à beira de um ataque de nervos. Mas a tensão é recompensada logo a seguir pela presença no palco — o alívio da arte, depois da dor. Brassalotti é do grupo Artefato e Ana Cristina da Companhia Teatral Pacatatu e integrante também do grupo DNA.

Texto: Ana Paula Miranda e Selma Costa (matéria feita em 2005 para meu trabalho de conclusão de curso)
Fotos: Arquivo pessoal de Ana Maragliano


Visão da arte

Júnior Brassalotti — “Faço teatro amador há 11 anos, como ator, diretor, maquiador e dançarino. Minha escolha em relação ao teatro foi motivada por uma certa angústia pessoal e com as pessoas à minha volta: O mundo em geral está muito triste. Portanto, a arte é uma forma de colocar o que pensamos sobre o ser humano e compartilhar isso com outras pessoas. Descobrir quem você é por meio de grandes autores, por meio de uma ‘mentira’, de uma ilusão, que é o teatro. Construímos personagens o tempo todo, mas na verdade procuramos o nosso verdadeiro eu”.

Ana Maragliano — "Tinha curiosidade de conhecer essa arte que é magnífica. Os amigos que faziam teatro me chamaram e comecei a me interessar mais e depois disso já são três anos dedicados ao teatro".

Viver de teatro

Brassalotti — “Um artista amador da Baixada Santista não vive só de teatro. Viver só disso hoje em dia é muito complicado. Eu vivo só das coisas que faço com relação à arte, por exemplo: faço animação de festas pra adulto. Mas foi por meio do teatro que as pessoas ficaram me conhecendo”.

Ana Maragliano — “Isso depende do próprio artista buscar recursos para produzir seus projetos. Tenho um exemplo bem próximo que é do diretor da companhia da qual faço parte. Ele montou esse projeto ao longo de 18 anos. Não contou com patrocínio e nem com o poder público. É um projeto totalmente particular”.

Imprensa

Brassalotti — “Tem muita produção cultural na Baixada Santista que não chegam a conhecimento do público. Temos coisas lindas sendo feitas aqui. Pessoas em pequenos ateliês fazendo escultura e pintura com técnicas espantosas. O trabalho de dança de Santos é de ponta. A falta de divulgação e cobertura da imprensa faz com que muitos projetos não saiam do papel”.

Ana Maragliano — “Minha casa já foi um espaço de arte. Colocávamos cerca de 50 cadeiras, cobríamos com lona, fazíamos iluminação. Isso a um preço popular de R$ 3,00. Eu fazia divulgação no bairro e as sessões eram lotadas. Nunca houve uma nota na mídia sobre a peça".

Brassalotti e Ana Maragliano — “A cobertura da imprensa deveria ser mais abrangente. É preciso saber vender o evento, colocar de uma maneira mais popular, às vezes tem eventos que são eruditos e a mídia não sabe como colocar isso pra população e prefere não divulgar. Fazem a divulgação dos grandes que vêm de fora. Para os grupos daqui, só dão notas pequenas”.

Ficha Técnica

Junior Brassalotti — Faz parte do grupo Confraria dos Bobos e Cia Pavaneli de Teatro de rua e circo e do grupo Arte e Cia de Danças. Está ensaiando o espetáculo de cabaré Zefi mal pagas.

Ana Maragliano — Atualmente encena para escolas peças infantis como Água Viva (fantoches), Menino Maluquinho, Quatro Estações, Viva Verde, entre outras pela Companhia Teatral Pacatatu . Também está ensaiando com o grupo DNA a peça adulta Como se fazia um deputado.

Público

Brassalotti — “O que falta para o público santista procurar mais o teatro amador é a conscientização, pois talento existe. Mas é difícil tirar as pessoas da inércia. Se alguém disser que em Santos não acontece nada ligado à cultura, é mentira. É só procurar que achamos muitas coisas. Todo final de semana tem espetáculos teatrais de dança, de música etc. O que falta é as pessoas procurarem um pouco mais a cultura. Muita gente não vai ao teatro por medo de não compreender a peça. Mas não é para entender racionalmente: a arte passa por um outro campo. A Clarice Lispector falava isso muito bem. Ela dizia que ‘viver ultrapassa todo o entender’. Então, vai lá no teatro e aproveita, pois alguma coisa você vai absorver".

Ana Maragliano — “Nem todo mundo em Santos tem dinheiro para ir regularmente ao teatro e isso faz com que as pessoas não adquiram esse hábito. Se os eventos fossem gratuitos como foi, por exemplo, o Curta Santos, que teve as sessões lotadas, o público apareceria com certeza”.

Preço do ingresso

Brassalotti — “O público santista prefere ir a São Paulo para ver espetáculos e pagar ingressos caros. Paga R$ 30 para ver um espetáculo do ator da Globo do momento. O ingresso de teatro amador custa em torno de R$ 10. Se comparado ao preço de uma sessão no Cinemark, que chega a custar até R$ 12, o ingresso não é caro ”

Ana Maragliano — “Apesar de não ser muito caro, o ingresso teria que ser mais popular. Mas para isso precisaríamos de patrocínio para bancar os custos. Assim os preços poderiam ser mais acessíveis e teríamos mais frequentadores”.

Federação Santista

Brassalotti — “Atualmente a Federação Santista de Teatro Amador está passando por uma reformulação e não tem sede nem presidente, é formada por uma comissão de seis pessoas. A federação já foi mais atuante, mas está passando por mudanças. O objetivo é fortalecer a classe, organizar eventos, unir mais os grupos e representar a classe teatral junto ao poder público. O movimento de teatro em Santos é o movimento de cultura mais unido da cidade”.

Ana Maragliano — Muita gente se desligou e agora não tem nem presidente. Havia uma idéia de criar uma cooperativa, mas o projeto não vingou. Pra se ter uma idéia não sabemos nem quantos grupos temos na região. Acredita-se que seja em torno de 52 grupos. Só há reuniões para organizar o Festa. Fora isso, não há reuniões, movimentos, união".

Poder Público

Brassalotti — “Não tenho do que reclamar da Secretaria de Cultura de Santos, pois sempre que pedi ajuda fui atendido. A Prefeitura colabora cedendo transporte para a equipe dos espetáculos, cedendo espaço para ensaiar. As pessoas reclamam sem ter conhecimento, tudo é uma questão de diálogo. Meu grupo já viajou para apresentar espetáculos em Campinas, Caraguatatuba, Sumaré, São Paulo, Cubatão, Jales e Paraná. Apresentamos espetáculos nessas cidades, graças ao apoio da Secult”.

Ana Maragliano — "Eles atuam de forma positiva, mas nem tanto como a gente gostaria. A Secretaria de Cultura e as grandes empresas deveriam incentivar mais os amadores. Não podemos confiar só no poder público. Acredito que os grupos também têm que ir atrás das parcerias".


16.09.07

Especial Cecília Meireles

categorias: Poesias

A consagrada escritora Cecília Meireles nasceu em 07 de novembro de 1901 no Rio de Janeiro, órfã de pai que morreu três meses antes de seu nascimento e de mãe que morrera quando ela tinha três anos de idade, Cecília foi criada pela avó portuguesa Jacinta Garcia Benvides e aos nove anos começou a escrever poesia. Seus textos foram influenciados por essa ausência de pai e mãe que ela passou. Aos 18 anos já publicava seu primeiro trabalho: o livro de poemas Espectros.

Curiosidade: Em outubro de 2006 Espectros (1919), o primeiro livro de Cecília Meireles, foi vendido por R$ 22 mil em um leilão de livros raros organizado pela livraria Fólio.

Bibliografia publicada no site Wikipédia:

Órfã do pai, Carlos Alberto de Carvalho Meireles, três meses antes de seu nascimento, e da mãe, Matilde Benevides Meireles, aos três anos de idade. Os seus pais haviam tido três outros filhos antes dela, nenhum dos quais sobrevivera. A sua poesia, focada com frequência na passagem do tempo e na ausência de sentido da vida, foi fortemente influenciada por essas perdas.
Cecília foi, a partir de então, criada por sua avó portuguesa, D. Jacinta Garcia Benevides e, aos nove anos, começou a escrever poesia. Freqüentou a Escola Normal no Rio de Janeiro, entre os anos de 1913 e 1916. Como professora, estudou línguas, literatura, música, folclore e teoria educacional.
Aos dezoito anos de idade publicou o seu primeiro livro de poesias (Espectro, 1919), um conjunto de sonetos simbolistas. Embora vivesse sob a influência do Modernismo, apresentava ainda, em sua obra, heranças do Simbolismo e técnicas do Classicismo, Gongorismo, Romantismo, Parnasianismo, Realismo e Surrealismo, razão pela qual a sua poesia é considerada atemporal.
No ano de 1922 casou-se com o pintor português Fernando Correia Dias com quem teve três filhas. O seu marido, que sofria de depressão aguda, suicidou-se em 1935. Cecília voltou a se casar, no ano de 1940, quando se uniu ao professor e engenheiro agrônomo Heitor Vinícius da Silveira Grilo.
Teve ainda importante atuação como jornalista, com publicações diárias sobre problemas na educação, área à qual se manteve ligada fundando, em 1934, a primeira biblioteca infantil do Rio de Janeiro. Observa-se ainda seu amplo reconhecimento na poesia infantil com textos como Leilão de Jardim, O Cavalinho Branco, Colar de Carolina, O mosquito escreve, Sonhos da menina, O menino azul e A pombinha da mata, entre outros. Ela traz para a poesia infantil a musicalidade característica de sua poesia, explorando versos regulares, a combinação de diferentes metros, o verso livre, a aliteração, a assonância e a rima.
Os poemas infantis de Cecília Meireles não ficam restritos à leitura infantil, permitindo diferentes níveis de leitura.
Em 1923, publicou Nunca Mais... e Poema dos Poemas, e, em 1925, Baladas Para El-Rei. Após longo período, em 1939, publicou Viagem, livro com o qual ganhou o Prêmio de Poesia da Academia Brasileira de Letras.
A autora publicou regularmente, até a sua morte, no ano de 1964, dois dias após ter completado 63 anos. Algumas de suas publicações neste período foram Vaga Música (1942), Mar Absoluto e Outros Poemas (1945), Retrato Natural (1949), Romanceiro da Inconfidência (1953), Metal Rosicler (1961), Poemas Escritos na Índia (1962), Solombra (1963) e Ou Isto ou Aquilo (temática infantil, 1964).


Fontes consultadas: http://pt.wikipedia.org/wiki/Cec%C3%ADlia_Meireles
                                      http://www.releituras.com/cmeireles_bio.asp

Poesias de Cecília Meireles:

Retrato

Eu não tinha este rosto de hoje,
assim calmo, assim triste, assim magro,
nem estes olhos tão vazios,
nem o lábio amargo.


Eu não tinha estas mãos sem força,
tão paradas e frias e mortas;
eu não tinha este coração
que nem se mostra.


Eu não dei por esta mudança,
tão simples, tão certa, tão fácil:
— Em que espelho ficou perdida
a minha face?


Pássaro

Aquilo que ontem cantava
já não canta.
Morreu de uma flor na boca:
não do espinho na garganta.

Ele amava a água sem sede,
e, em verdade,
tendo asas, fitava o tempo,
livre de necessidade.

Não foi desejo ou imprudência:
não foi nada.
E o dia toca em silêncio
a desventura causada.

Se acaso isso é desventura:
ir-se a vida
sobre uma rosa tão bela,
por uma tênue ferida.


08.09.07

300: Esparta X Pérsia

categorias: Cinema

            Cinema não é apenas entretenimento como a maioria das pessoas pensa, muitas vezes ele também é cultura. Há diversos filmes que contam parte da história da nossa humanidade e só pelo enredo já vale a pena o ingresso do cinema. Um desses filmes é o recém sucesso do cinema: o épico 300 do diretor Zack Snyder, estrelado por Gerard Butler como o rei Leônidas e Rodrigo Santoro como o rei Xerxes.
           Lógico que não podemos esquecer que se trata de um filme e um filme, não passa de fixação e embora tenha muito de verdade na história que ele conta, obviamente tem também suas falhas, que já foram apontadas por muitos críticos, mas ainda assim vale à pena assistir o filme e tirar suas próprias conclusões.
           O filme teve um orçamento de 60 milhões de dólares, o que já é um indício de sua qualidade. Efeitos especiais de primeira, cenas muito bem
feitas, um ótimo roteiro para quem gosta de filmes de aventura, embora um pouco de exagero na dose de violência.
           300 é uma adaptação da história em quadrinhos de Frank Miller e isso explica o uso de recursos gráficos para compor os efeitos do filme que realmente ficou muito parecido com a versão de papel. Essa não é a primeira vez que os quadrinhos de Miller são transportados para o cinema, ele também é autor de Demolidor e Electra, sucessos que acabaram se tornando filmes.
           O clássico conta a história dos espartanos que desde meninos eram criados para servir sua pátria nas guerras e retrata a coragem do rei Lêonidas e seus 300 melhores guerreiros ao lutar contra o gigantesco exército persa, mesmo sabendo que as chances de vencerem e sobreviverem eram praticamente nulas, principalmente após a traição de um espartano rejeitado que contou o plano ao rei Xertes.
           Claro que essa história também retrata um pouco do orgulho daquele povo que preferiu morrer a se entregar a Xerxes que era também um poço de orgulho e vaidade. Mas os espartanos, embora orgulhosos também não lutavam por eles em particular e sim por sua pátria e suas famílias, pelo futuro daquela terra. 
           É uma bela história e uma ótima aventura que vale à pena gastar 117 minutos do seu tempo para assistir e refletir um pouco sobre os costumes daquele povo quase que esquecido nos capítulos da nossa história mundial.

Ana Paula Miranda